Comparação de diversos tipos de drenagem linfática

23 nov

Dr. Emil Vodder

Toda drenagem linfática baseia-se no método Vodder, pois foi ele o primeiro que ousou tocar em gânglios linfáticos, caso impensável antes dele. Sabia-se muito pouco sobre a dinâmica do transporte linfático e a manipulação dos gânglios era completamente tabu.
Vodder publicou seu primeiro trabalho em 1936 por ocasião de uma exposição de saúde “Santé e Beauté” em Paris (1).

O primeiro grupo de profissionais a interessar-se pela drenagem linfática de Vodder não foi o dos fisioterapeutas, nem o dos médicos. As palestras de Vodder chamaram a atenção das esteticistas que viram no método um meio para potencializar seus tratamentos estéticos. Provavelmente porque as esteticistas tinham menos preconceitos e mais intuição. Entre elas se destacaram a Sra. Götze, Sra. Bartetzko-Asdonk, Sra. Schenk e outras. Alguns massagistas aderiram também ao método, por exemplo, Wittlinger, que é um dos fundadores da Dr. Vodder Schule in Walchsee na Áustria (Escola de Drenagem Linfática autorizada por Dr. Vodder) e Karling (2).

Somente em 1963, 27 anos depois, o trabalho de Vodder chamou a atenção de um médico, Dr. Johannes Asdonk (3). Logo em seguida Prof. Dr. M. Földi estudou as vias linfáticas da cabeça e da nuca e suas interligações com o líquor cérebro-espinhal (4). Prof. Dr. H. Mislin examinou os mecanismos da motricidade dos capilares e dos vasos linfáticos (5). Mais tarde se juntaram cientistas renomados como Prof. Dr. Kuhnke, Dr. Gregl, Dr. Schoberth, Dr. Collard, Dr. Clodius, Dr. Schneider e muitos outros (6) para defender os méritos da drenagem linfática através de trabalhos científicos. Este mutirão científico conseguiu transfomar a drenagem linfática de Dr. Emil Vodder de uma manipulação alternativa esquisita em um método comprovado pela ciência e reconhecido pela medicina.

O maior mérito deste feito cabe ao Prof. Dr. Johannes Asdonk. Ele não somente comprovou estatisticamente os resultados da drenagem linfática, mas também explicou cientificamente o porquê dos resultados. Ele conseguiu unir a prática de Dr. Vodder e seus discípulos com a ciência dos pesquisadores. Dr.Vodder era uma pessoa de intelligência rara, calmo e bondoso, mas realmente não era um guerreiro. Foi por uma feliz coincidência que Dr. Asdonk se interessou e levantou a bandeira da drenagem linfática manual. Sem a junção destes dois homens extraordinários, cada um do seu jeito, a drenagem de Dr. Vodder nunca teria deslanchado.

Em 1966 foi fundada a “Gesellschaft für manuelle Lymphdrainage nach Dr. Vodder” (Sociedade para drenagem linfática manual pelo método Vodder), que passou a chamar-se “Deutsche Gesellschaft für Lymphologie” (Sociedade Alemã de Linfologia) a partir de 1976. Em 1978 houve o “1º Kongress International der Gesellschaft für Lymphologie” (1º Congresso internacional da Sociedade de Linfologie) em Innsbruck, Áustria, no qual eu estava presente.

Dr. Vodder abriu pessoalmente os trabalhos do Congresso com uma retrospectiva sobre o desenvolvimento do seu método. Ele chamou sua primeira intuição da drenagem linfática de “visionária”, pois o que ele fez contrariava completamente todos os ensinamentos da época relativos aos gânglios linfáticos. “Por meio da razão, jamais conseguiria desenvolver a drenagem linfática manual” disse ele (7).

Prof. Albert Leduc
No ano 1977, a convite da FEBECO, desembarcou no Brasil o Prof. Leduc para dar um curso de drenagem linfática manual no Hotel Everest em Rio de Janeiro para esteticistas. Quem reuniu o grupo foi Mdme Klotz, na época presidente da FEBECO, posteriormente transformada em Associação de Estética do Rio de Janeiro.

Eu, Waldtraud Ritter Winter, esteticista, aprendi a drenagem linfática manual pelas mãos de Dr. Emil Vodder e sua mulher Estrid em Wiesbaden, Alemanha, no ano de 1969. Participei do curso no Rio para refrescar algumas questões e tirar algumas duvidas. Prof. Leduc, como eu ouvi da sua própria boca, era aluno de Dr. Vodder. Ele fez o curso depois de mim, provavelmente em 1970. O Curso que ele deu em 1977 no Rio tinha o título Drenagem linfática manual pelo método Vodder. Prof. Leduc era colaborador do Prof. Dr. Collard de Bruxelas. Dr. Collard já foi mencionado anteriormente como integrante do grupo dos cientistas em torno de Prof. Dr. Asdonk, o desbravador da drenagem de Vodder.

Durante o curso em Rio de Janeiro Prof. Leduc ensinou as manobras da drenagem exatamente como eu havia aprendido, portanto, pelo método Vodder.

No ano de 2001 fiz um outro curso de drenagem linfática com Prof. Leduc em São Paulo, desta vez, pelo método Leduc. Em vez de aprender alguma coisa inédita e nova sobre drenagem pude constatar que era simplesmente o método Vodder terrivelmente empobrecido. Vodder era detalhista, tratava todas as articulações minuciosamente, pois como fisioterapeuta ele conhecia os muitos problemas das pessoas idosas com estas partes do corpo. O livro de Leduc, Drenagem Linfática, Teoria e Prática, lançado em 2001 pela Editora Manole, tradução em Português, não traz nenhuma menção sobre a drenagem das articulações.

A parte teórica do livro Leduc mostra esquemas sobre o equilíbrio das pressões e a repercussão das pressões da drenagem linfática sobre a rede sanguínea, ambos conforme Kuhnke, citado na bibliografia. Kuhnke pertenceu ao ciclo cientifico em torno de Vodder, Leduc bebia então na fonte que se formou por causa do trabalho de Vodder.

Leduc mantém a seqüência proposta por Vodder de drenar as regiões proximais antes das distais, e também a drenagem de cada região de distal a proximal.

Conforme o livro, Leduc desobstrui os gânglios principais da região antes de encaminhar o fluxo linfático. Vodder já ensinava isso. Vodder começa toda drenagem linfática pelo pescoço, Leduc acha que, tratando-se de edemas muito distantes, as manobras sobre o ãngulo venoso não tem o poder de acelerar significativamente o fluxo linfático da perna.(8) Pode ser que ele tenha razão, porém quando eu recentemente fiz uma cirurgia no tornozelo, fiquei com o pé e a perna engessadas e, portanto sem acesso ao meu pé, que estava com edema importante. Ainda no hospital, ao manipular os ângulos venosos, sentia um movimento no meu pé, ao bombear os gânglios inguinais sentia o movimento mais nítido, quando trabalhava a fossa poplítea parecia mesmo haver uma bomba de sucção no meu pé.

Vodder tinha a opinião de que quando o banheiro está inundado a gente precisa limpar em primeiro lugar o ralo e depois mandar a água em sua direção. Eu concordo com ele e começo toda drenagem no ângulo venoso. Por outro lado, não acho que começar no pescoço ou deixar o pescoço sem fazer vai invalidar o efeito de uma drenagem bem feita. Acho muito pior quando alguém tenta esconder as origens do seu aprendizado e ainda muda o nome do método, pois Dr. Vodder não está mais entre nós para se defender. Eu acho, ele ia somente levantar os ombros num gesto resignado, pois ele definitivamente não era um guerreiro.

Földi
Földi também é um sucessor de Vodder. Assisti uma palestra sobre o método, seguida por uma demonstração prática durante o Congresso Les Nouvelles Estethiques. Isto deve ter sido em 2003, mas não tenho certeza da data. Em 2008 participei do curso Pós-Congresso do método Földi com Professor Didier que veio da Suíça.

As manobras de Földi são lentas, profundas, macias, lembram as manobras de Vodder, talvez são mais generosas, mais largas, menos minuciosas, com certeza elas funcionam. Não vi grandes diferenças nem na seqüência nem nos caminhos. Também, os caminhos da linfa não mudam desde que foram descobertos e explorados por Vodder e seus escudeiros.

Os Perigosos
Infelizmente existem “os perigosos”. Pessoas que não tem bases científicas, que não sabem nada sobre fisiologia e anatomia, não conhecem os caminhos linfáticos e não imaginam quão frágeis são os capilares linfáticos. Pessoas que não somente praticam, mas ensinam outros, os quais conseqüentemente se tornam também perigosos. Perigosos para as suas clientes que se tornam vítimas, e perigosos para a reputação de um método tão cuidadosamente construído por homens e mulheres importantes.

Por causa dos “perigosos” ainda existem médicos que não liberam seus pacientes para a drenagem linfática, e eles têm toda razão. Por causa dos “perigosos”, pessoas são lesadas. Os “perigosos” inventam a sua drenagem particular ou juram seguir um método, mas nunca o aprenderam. Existe um verdadeiro caos a respeito da drenagem linfática. Não existem regras, limites ou exigências. Os estrangeiros que vêm aqui para ensinar visam geralmente mais o dinheiro do que o ensino. Os profissionais que lotam esses cursos estão muito mais preocupados em colecionar certificados do que conhecimentos. Como se pode ensinar drenagem linfática em 8 horas para 80 pessoas?!!.

Bibliografia:
(1) WITTLINGER H. e G., Einfürung in die Manuelle Lymphdrainage nach Dr.Vodder, Band 1, Grundkurs, Haug Verlag, 1978
(2) Bulletin der 2. Arbeitstagung der Deutschen Gesellschaft für Lymphologie, 1987
(3) ASDONK Johannes, Manuelle Lymphdrainage, 1. Band, Haug Verlag 1970
(4) FÖLDI M., Manuelle Lymphdrainage, Haug Verlag 1970
(5) MISLIN H., Manuelle Lymphdrainage 1. Band, Haug Verlag, 1979
(6) Bulletin der 2. Arbeitstagung der Deutschen Gesellschaft für Lymphologie, 1987
(7) Lymphologisches Bulletin, Heft 1, Dr. Ewald Fischer Verlag 1979
(8) LEDUC Albert, Drenagem Linfática, Teoria e Prática, Editora Manole, 2000

Waldtraud Ritter Winter é formada em drenagem linfática manual por:

  • Dr. Emil Vodder, Wiesbaden, Alemanha (1969)
  • Deutsche Gesellschaft für Lymphologie Wiesbaden, Alemanha (1972)
  • Dr. Albert Leduc, Rio de Janeiro (1977)
  • Dr. Albert Leduc, São Paulo (2001)
  • Dr. Vodder Schule Walchsee, Austria (2002)
  • Professor Didier Tompson, São Paulo (2008)
  • Dr. Albert Leduc, São Paulo (2009)

Fonte:

 

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